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Novo modelo inverterá relação entre atores da Saúde Suplementar

27/03/2017 16:40:02

 

Seminário reuniu profissionais, gestores, representantes da Saúde.

Um novo modelo de funcionamento e operação para a Saúde Suplementar foi apresentado na tarde de quinta-feira, 23, durante o talk show “O valor ao paciente no cenário de crise da Saúde Suplementar: em busca de soluções”, em seminário realizado pela Associação de Hospitais e Serviços de Saúde da Bahia e Universidade Corporativa, no Mundo Plaza Business Center, em Salvador, Bahia.

O modelo, cujo piloto deve ser experimentado na Bahia, traz uma inversão na relação dos atores que compõem o segmento. Por isso, foi intitulado de “capitation reverso” por um grupo que estudou este novo sistema, liderado pelo presidente da Federação Baiana de Saúde da Bahia e vice da Confederação Nacional de Saúde, Marcelo Britto, que fez a apresentação inicial do talk show durante o evento.

Conforme explicou Britto,  a ideia é que o usuário do sistema passe a lidar diretamente com o prestador e o papel da operadora de saúde seja a venda de redes privadas de serviços, sem precisar ter o contato direto com o usuário – já que o pagamento pelos mesmos será feito diretamente aos estabelecimentos: hospitais, clínicas, laboratórios, que se organizariam em redes por critérios pré-estabelecidos.

Trata-se de uma mudança na prática da relação que existe hoje, em que a operadora precisa lidar com o paciente, apesar de ela não ser a responsável pelos cuidados da saúde do mesmo. Com o novo modelo, os propositores – representantes de estabelecimentos – pretendem abolir práticas que são consideradas prejudiciais para o paciente, tais como tempo de espera para autorizações de procedimentos, procedimentos negados, over use, entre outros.

“Só existe um caixa na saúde. O usuário. E hoje, minha receita advém da medicina curativa e não, da preventiva”, explicou Marcelo Britto em sua exposição, citando alguns instrumentos que precisarão ser criados para sustentar o projeto, tais como a remuneração por valor fixo e por vida, em toda a cadeia; a criação de uma Tábua de Ressarcimento; a contratação de uma empresa gestora do grupo e para o grupo, e de um conselho partilhado.

“Esta é a espinha dorsal do que podemos construir para o nosso futuro. Todos os atores precisam aderir a este modelo para mudar o atual cenário, e construirmos, juntos, coisas novas”, disse o presidente da Ahseb, Mauro Duran Adan, que também fez parte do grupo de estudos e abriu o momento-chave da programação do seminário que recebeu o mesmo título do talk show, toda pensada para o valor ao paciente.

A solução proposta foi elaborada como uma tentativa de contornar a tendência do setor, que é o esgotamento total em, no máximo, seis anos – se os números indicativos, também apresentados por Britto em sua exposição, seguirem a tendência atual. A diretriz principal do novo modelo é alinhar os interesses dos médicos, prestadores, operadoras e usuários, conforme destacou acrescentando que não há nenhuma pretensão de se alterar os marcos legais que hoje regem o setor.

Presidente da Febase e vice da CNS, Marcelo Britto, apresentou o novo modelo aos presentes

Presidente da Ahseb, Mauro Duran Adan, abriu o talk show

Após a apresentação, os debatedores fizeram suas colocações, mas a proposta foi acolhida com otimismo.

Provedor da Santa Casa de Misericórdia, Roberto Sá Menezes: “Creio que esta discussão vai se prolongar por algum tempo, mas é preciso fazer um teste. Muito triste os profissionais não terem tempo para dedicação ao paciente”

 

Presidente da FENAESS, Breno de Figueiredo Monteiro: “Faço questão de acompanhar esse modelo piloto que será implantado na Bahia pela sobrevivência do mercado. É louvável termos pensadores como os senhores aqui”

Chefe de divisão de sanções administrativas do Ministério da Justiça, Jaqueline Raffoul: “É natural que surjam novos modelos em tempos de crise. É importante que o consumidor tenha seus direitos preservados e que tenha atendido o benefício que comprou”

Coordenador administrativo do Procon, Filipe Araújo Vieira: “O Procon parabeniza e aplaude a iniciativa. Precisamos de soluções. Terei orgulho de dizer lá na frente que participei do evento que lançou esta ideia”

2º vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Jecé Freitas Brandão: “Os médicos estão extremamente infelizes com a atual situação. Atender o paciente em 10, 15 minutos é muito triste. Esse novo sistema repõe a dignidade na assistência e no médico”

Superintendente do Bradesco Saúde, Mariléia Souza: “O que o paciente quer é menos tempo de internação, é mudar o modelo de remuneração (entre outros pontos). Não existe culpado. Precisa mudar”

Coordenadora geral do Planserv, Cristina Cardoso: “Temos aspectos diferentes dos atores do segmento, mas formamos o sistema. O Planserv está disposto a olhar para frente e a mudança tem de ser feita agora”

Fonte: Ahosba

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