Empresa carioca quer criar a primeira rede hospitalar do País, com previsão de 15 unidades até 2020. O Grupo Fator, que atua na incorporação e construção de empreendimentos imobiliários, planeja investir mais de R$ 1 bilhão na criação da primeira rede nacional de hospitais. O projeto audacioso prevê a abertura de 15 unidades no País em um prazo de 14 anos.
Apesar da semelhança de nome, o grupo não tem relação com o Banco Fator, e desde sua criação, há 50 anos, já atuou em áreas distintas como mineração, agricultura, exportação e importação. Hoje os negócios são focados nas áreas de saúde e mercado imobiliário, com destaque para atuação nas cidades do Rio de Janeiro, Recife e Bahia.
Desenvolvida em 2005, a Rede Alfa de Hospitais já conta com dois complexos em funcionamento, o Hospital Boa Viagem Medical Center, em Recife, e o Hospital da Bahia, em Salvador. Essas unidades receberam investimentos de R$ 200 milhões, com recursos próprios dos investidores.
Segundo Marcos Newslands Freire, diretor do Grupo Fator, trata-se de verdadeiros shoppings da saúde que, juntos, somam 420 consultórios, 472 leitos, além de centros de diagnóstico, emergência, centro de estudos e instituto de oncologia, entre outros serviços.
A idéia é inovadora no Brasil. "Hoje temos vários hospitais regionais, mas nenhuma rede nacional que ofereça serviços completos para pacientes e comunidade médica", afirma Freire. "A criação de uma rede traz vantagens logísticas e também de custos para os hospitais, que podem negociar os mais modernos equipamentos e tarifas em conjuntos com os fornecedores", completa.
Até 2008, o grupo vai investir cerca de R$ 120 milhões na construção do terceiro complexo, o Hospital das Américas, no Rio de Janeiro. Localizado na Barra, em uma área de 40 mil m, o empreendimento se difere do conceito tradicional. Serão 184 apartamentos, que o executivo descreve como "alto luxo", num total de 360 leitos. A área comercial contará com 300 consultórios que, na contramão da realidade de mercado, serão vendidos e não alugados para os profissionais de saúde.
"Queremos que o médico aposte com a gente no empreendimento, adquirindo um patrimônio e não só um espaço", explica o diretor, ressaltando que não faltarão atrativos para os futuros parceiros. Além de centro de diagnósticos e centro de convenções para 500 pessoas, o "shopping da saúde" terá 20 lojas de conveniência e praça de alimentação, estacionamento com mil vagas e até um centro de fitness com duas quadras de tênis, spa, salas de massagens e sauna.
Freire aponta os investimentos em tecnologia como diferenciais dos complexos hospitalares. Todas as unidades são equipadas com prontuários eletrônicos, inclusive de imagem.
Atualmente, os dois hospitais da rede em funcionamento respondem por um faturamento de R$ 6 a R$ 7 milhões por mês, com uma ocupação de 18%. "A meta é chegar a 80%", diz Freire. "Dentro de aproximadamente um ano queremos atingir um faturamento de R$ 280 milhões", afirma. Com a unidade carioca, a expectativa é que o faturamento da área hospitalar ultrapasse a marca de R$ 600 milhões ao ano.
O próximo alvo de expansão do grupo são as cidades Goiânia, Florianópolis e o Distrito Federal. Por enquanto, o mercado paulistano não aparece entre as prioridades. "Diferente de outros estados, São Paulo é bem servido em serviços de saúde", diz o executivo.
Para acelerar o crescimento da rede, o plano é atrair investidores estrangeiros. O grupo já negocia com um fundo de investimento americano e se prepara para abertura de capital.