Durante o Focus Groups – Ferramenta de análise e gerenciamento jurídico, ministrado por Pedro Ramos, da Amesp, foram apontados os principais conceitos de legislação, de administração hospitalar, assim como as atribuições técnicas dos diretores da instituição hospitalar no que tange o aspecto jurídico.
Houve destaque ainda a questão da responsabilidade de cada profissional no exercício das atividades e as respectivas implicações legais. Outra abordagem foi o erro médico que deve receber uma atenção especial, pois a responsabilidade do profissional é subjetiva e a da operadora e do hospital é objetiva, sendo as defesas harmoniosas.
Para se ter uma idéia, os valores dos processos por danos morais variam de R$ 20 a R$ 180 mil. A ofensa de natureza leve é de até R$ 20 mil, de natureza média de R$ 20 a R$ 90 mil e de natureza grave de R$ 90 a R$ 180 mil.
A ação do Judiciário também foi criticada, uma vez que cria leis para tudo, porém o Judiciário não as aplica. Como solução para enfrentar os problemas jurídicos, foram sugeridos o uso de procedimento informado, prontuários precisos, defesas conjuntas e técnicas, advocacia preventiva e relacionamento médico-paciente.
Corpo clínico precisa estar comprometido com área clínica
José Henrique Germann, do Hospital Albert Einstein, afirma que o atendimento hoje é fragmentado em silos, da UTI ao home care
Em apresentação no Focus Group “Integração Clínico-Administrativa no hospital: envolvendo o corpo clínico”, José Henrique Germann apontou que o comprometimento do corpo clínico é fundamental para a desfragmentação da assistência. “Hoje, o atendimento é fragmentado em silos, da UTI ao home care, e isso traz custos maiores para o hospital. Por exemplo, um paciente que sofre infarto do miocárdio e coloca um stent passa oito horas no pronto-atendimento, 24 horas no CTI e quatro dias na unidade coronariana e, neste período, realiza três ecocardiogramas.”
Para Germann, a integração entre as áreas leva ao atendimento protocolado, mais barato e com mais qualidade. “Precisamos ter um hospital sem paredes.”
Outro fator importante para estimular o envolvimento é a remuneração. “É preciso adotar um modelo que estimule a busca da qualidade e do resultado.”
O hospital precisa ser mais transparente para levar os médicos ao comprometimento. “Os números não podem ficar numa caixa-preta. O médico precisa ter informação organizacional, financeira e clínica.”
Saúde x Doença
Dados indicam que 50% dos óbitos são causadas por doenças que podem ser prevenidas como alcoolismo e tabagismo
O modelo de atenção à saúde suplementar deve adotar medidas de promoção à saúde e controle de doenças. É o que sugere a consultora da Marsh, Sheila Clezar, que falou sobre Gestão de Saúde x Gestão de Doença no Focus Group realizado esta semana.
“O assunto continua em pauta, porém ainda se fala muito mais do que se faz.” Dados indicam que 50% dos óbitos são causadas por doenças que podem ser prevenidas como alcoolismo e tabagismo.
Para melhorar a negociação e o controle de custos, é imprescindível entender quanto, como, onde e em que se gasta. A consultora explica que a gestão médica adequada deve ter como foco 75% no diagnóstico da anamnese, 10% em exames físicos, 5% em exames laboratoriais e 5% em tecnologia mais complexa. Para Sheila, os desafios envolvem seis ‘Cs’: comunicação, credibilidade, consistência, continuidade, comprometimento e coragem.
“Cada vez mais os hospitais terão que se posicionar e trabalhar com protocolos de saúde e de doença, como é feito nos EUA. Em 2004, os custos médicos americanos registravam 7,5% e no ano passado caiu para 6,1%.