Os hospitais filantrópicos e particulares vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS) passam por maus momentos. O valor pago pelo governo federal para ressarcir os atendimentos hospitalares cobre apenas 60% dos custos, segundo estimativa da Federação das Santa Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Paraná (Femipa). Diante desse quadro, a federação sugere que o próximo governador complemente os valores do SUS repassados pela União pelos serviços prestados.
"Os hospitais privados estão aos poucos saindo do SUS. Os que não podem sair reduzem o atendimento. Quem sofre com isso é o usuário", diz o presidente da Femipa e também vice-presidente da Fehospar, Charles London. As entidades informam ainda que, nos últimos dez anos, mais de cem hospitais fecharam no Paraná. Em março deste ano, por exemplo, a Santa Casa de Foz do Iguaçu fechou.
Atualmente, cinco hospitais filantrópicos estão sob intervenção ou foram municipalizados: a Santa Casa de Paranaguá (intervenção estadual), Santa Casa de General Carneiro (municipalizada), Hospital São João Batista de Carlópolis (comprado pelo município), Santa Casa de Primeiro de Maio (municipalizada) e Santa Casa de Imbituva (municipalizada). Desde 2000, os 63 hospitais filiados à Femipa também deixaram de ofertar 1,2 mil leitos hospitalares. A dívida dessas entidades, juntas, hoje soma R$ 250 milhões.
"Não há dúvida: o grande problema da saúde é o financiamento", diz London. O presidente da federação reconhece que o atual governo do estado contribui ao destinar uma verba fixa para 65 hospitais do estado, por meio de uma parceria com o Ministério da Saúde. Mas ele considera a medida insuficiente devido à grande defasagem entre o que o SUS repassa e o valor real dos atendimentos. O tratamento de um derrame, por exemplo, custa aos hospitais R$ 1.037 e o SUS repassa apenas R$ 315. Um parto custa R$ 600 e a União repassa apenas R$ 356,60 para cobrir o serviço.
Já o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM), Gerson Zafalon Martins, não acredita que, ao menos para os médicos que prestam serviços ao sistema público de saúde, a complementação dos repasses do SUS com recursos estaduais possa ser a solução. O médico chega a receber apenas R$ 3 por uma consulta médica. "Mesmo que se dobre de valor, não vai melhorar muita coisa", afirma ele.
Para Martins, a solução estaria em haver uma carreira efetiva do SUS para os médicos e profissionais da saúde, que permitisse a eles não trabalhar apenas como prestadores de serviço. Essa prática, diz o vice-vice-presidente do CRM, muitas vezes obriga o médico a ter até seis empregos – o que reduz a qualidade do atendimento à população.
Na área médica, outra sugestão para o futuro governador é de que haja uma redução de impostos para a compra de equipamentos hospitalares. O presidente da Federação dos Hospitais do Paraná (Fehospar), Arthur Leal Neto, afirma que atualmente a alíquota do ICMS para esse tipo de equipamento é de 18%. Uma redução da carga tributária permitiria que os hospitais pudessem se modernizar mais facilmente.
Essas propostas dos representantes do setor médico e hospitalar do Paraná, porém, parecem que não encontram muito respaldo nos principais candidatos ao governo do estado. Apenas a questão do plano de carreira faz parte dos planos de governos apresentados pelos assessores dos candidatos à Gazeta do Povo.