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Londrina: Hospitais querem fundo para tratar o lixo

Sugestão partiu do sindicato da classe durante seminário de meio ambiente; palestrante propôs taxar geradores de resíduos

O Seminário do Meio Ambiente, no Hotel Sumatra, foi aberto ontem pelo jornalista Washington Novaes: “Prioridade é economizar e reciclar”

O presidente do Sindicato dos Hospitais de Londrina e Região, Fahd Haddad, que é também diretor da Irmandade Santa Casa de Londrina, sugeriu ontem a criação de fundo municipal para subsídio do tratamento de resíduos sólidos produzidos pelas unidades de saúde. A sugestão foi feita no I Seminário do Meio Ambiente de Londrina e Região, aberto pelo jornalista Washington Novaes, que vê na taxação sobre os geradores de lixo entre eles, os hospitais a forma mais eficaz para a redução do volume de resíduos.

O seminário, promovido pelo Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal) e pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (Crea-PR), tem como proposta sugerir medidas para a gestão racional do meio ambiente e do tratamento de resíduos sólidos.

“Vejo a taxação sobre os geradores de lixo como a forma mais eficiente de inibir a produção de resíduos. Esta cobrança, que deve ser proporcional à produção, é a maneira mais simples de responsabilizar os produtores de resíduos pelo cuidado com o material que eles geram”, explicou o jornalista.

A aplicação desta taxa integra uma série de sugestões propostas por Novaes, que vê no poder público a maior responsabilidade pela normatização do consumo de energia, água e bens materiais, hoje os maiores geradores de resíduos. “O uso de equipamentos obsoletos no campo, promovendo o desperdício de água, ou a falta de financiamento para a manutenção de sistemas de fornecimento de água ou energia são os maiores exemplos de que o Estado precisa criar políticas públicas eficientes para normatizar o consumo. Uma prova disso é que os custos para se evitar o desperdício de um litro de água são até sete vezes menores do que o investimento necessário para se beneficiar a mesma quantidade. No entanto, não há verba para isso”.

Consumidor comum, comércio, indústria e até mesmo hospitais estariam sujeitos à taxação sobre o lixo produzido, o que, segundo o presidente do Sindicato dos Hospitais, é alternativa viável para o controle da produção de lixo. “No entanto, hospitais como a Santa Casa dependem de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) e não teriam condições para bancar os custos da produção de lixo. Como cabe ao município regulamentar a cobrança sobre o lixo, a sugestão é que prefeituras criem um fundo para ajudar os hospitais com subsídios para tratamento destes resíduos”.

O subsídio serviria também para ajudar os hospitais a se enquadrarem na resolução RDC 306 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que transfere, a partir do dia 30 de junho, a responsabilidade sobre o transporte e tratamento de resíduos para organismos geradores.

O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Gabriel Ribeiro de Campos, lembrou que o município transferiu, há um ano, a responsabilidade sobre o lixo para os geradores e que a criação de um fundo para suporte aos hospitais nunca havia sido avaliada. “Se for uma alternativa viável e legal, podemos passar a considerá-la”.