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Remédio é suspeito de matar crianças

A Vigilância Sanitária de Foz do Iguaçu recolheu nessa quinta-feira (27/07) todo o lote de antiemético (medicamento usado contra vômito) de princípio ativo metoclopramida, na forma endovenosa, das unidades básicas de saúde (UBSs). A medida foi tomada pela Secretaria Municipal de Saúde porque uma criança de dois anos morreu anteontem em um posto de saúde da cidade após tomar o remédio. É o segundo caso de morte em condições parecidas registrado este ano no município.
Segundo informações da Secretaria, o menino Bruno Maia teria sido atendido na noite de terça-feira com quadro de febre alta, diarréia e vômito. Na manhã de quarta-feira, a mãe retornou com o garoto ao Pronto-Atendimento da avenida Paraná porque os sintomas não haviam regredido. Conforme a ficha de atendimento, o menino apresentava sinais de prostração, estava com quase 40 graus de febre e continuava com vômito e diarréia.
Um exame de sangue solicitado pela pediatra que atendeu o menino, Marli Wojciechowski, teria confirmado a suspeita para rotavirus mas não foi conclusivo para meningite. O mesmo exame apresentou índices elevados de glicose e potássio, o que poderia indicar um quadro de infecção generalizada. A médica teria prescrito soro com antiemético, na forma endovenosa, para hidratação e contenção do vômito. Logo após o início da medicação, Bruno teve uma parada cardíaca irreversível. ”Tentamos reanimá-lo, mas não houve reação”, lamentou a pediatra.
Para determinar a causa da morte, o Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) colheu amostras dos pulmões, rins, fígado, baço e coração. O material foi encaminhado para o Laboratório de Análises Anatopatológicas e os resultados são esperados para daqui a oito dias. A Secretaria destacou que vários fatores podem ter provocado a morte súbita do menino e citou como possibilidades uma reação ao remédio, ou que o medicamento possa ter potencializado algum outro problema já existente ou ainda um choque anafilático.
A morte de Bruno foi a segunda em condições semelhantes registrada em Foz neste ano. Em 15 de fevereiro, Michele Caroline da Costa, seis anos, morreu quando recebia atendimento no Pronto Atendimento 24 Horas do Morumbi. Ela também se queixava de vômito e diarréia e teve uma parada cardíaca quando recebia o mesmo medicamento antiemético na forma endovenosa. A Folha apurou que os laudos do SVO e do Instituto Médico Legal (IML) não confirmaram a suspeita de que a morte de Michele teria sido causada pelo remédio à base de metoclopramida.
No caso de Bruno, o secretário municipal de Saúde, Chico Brasileiro, descartou negligência, uma vez que o menino teria recebido toda assistência possível. Para ele, é precoce afirmar que o medicamento tenha provocado a morte mas, por ser o segundo caso, requisitou que todo o lote do remédio na forma endovenosa fosse recolhido enquanto se aprofundam as investigações. Foram recolhidas cerca de 20 mil ampolas. Amostras do medicamento foram encaminhadas para análise no Laboratório Central do Estado (Lacen) e o resultado deve sair nas próximas semanas. A Secretaria informou ainda que hoje devem chegar às UBSs outros medicamentos antieméticos para atender a população.