Número de instituições particulares soma 4.671, comparado a 2.745 públicas. O principal prestador de serviço de saúde no Brasil é o setor privado e não o setor público, conforme manda a constituição. Hoje o número de hospitais privados já representa 61,9% do total da rede de atendimento. O País conta hoje, segundo o Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (CNES), com 7.543 hospitais, sendo que 2.745 são públicos e 4.671 são privados.
Apesar de muitos hospitais privados também atenderem a o SUS (Sistema Único de Saúde), a grande maioria foca sua atenção apenas no público pagante de convênios ou particulares, que representam cerca de 36 milhões de habitantes, ou apenas 20% da população brasileira. Essa informação, divulgada durante o 7.º Fórum da Associação Nacional dos Hospitais Privados (Anahp), entidade que agrega 35 hospitais, traz uma realidade clara do setor de saúde: "As parcerias público-privada (PPP) terão que crescer no País para atender a carência de saúde do Estado", diz Adriano Mattheis Londres, vice-presidente da Anahp e diretor da Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro.
Londres destaca o exemplo das Organizações Sociais de Saúde (OSS). Criadas em 1988, o projeto consiste em parceria públicas com entidades sem fins lucrativos para gestão de unidades hospitalares. A remuneração da OSS é feita por meio de um contrato de gestão renovado anualmente. Neste contrato, o Estado mantém a responsabilidade de da manutenção financeiras dos hospitais, além de controlar como e onde será investido o dinheiro público. A entidade filantrópica assume a administração dos hospitais e têm, em contrapartida, vantagens tributárias.
De acordo com balanço comparativo divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde, as OSS tiveram em 2004 um custo médio de internação 25% menor que as unidades de administração pública, embora tenham atendido 37% mais paciente. "Entre as integrantes da Anahp, os hospitais Santa Catarina e São Camilo administram hospitais públicos", diz Londres. "Outros hospitais como o Sírio Libanês, o Hospital Israelita Albert Einstein e o Samaritano, também têm desenvolvido modelos de parceria com o governo."
A parceria firmada entre o Hospital Samaritano e a Prefeitura de São Paulo, consiste em viabilizar a realização de obras e reformas na infra-estrutura física, procedimentos ambulatoriais e cirúrgicos, além de projetos assistenciais no Hospitais Municipais Dr. Carmino Caricchio (Tatuapé) e Dr. Arthur Ribeiro de Saboya (Jabaquara). A previsão de investimento inicial por parte do Samaritano é de R$ 3,4 milhões.
Londres, ressalta, porém que sem um plano governamental estes esforços não serão suficientes para sanar a crise da saúde. "Saúde ainda não é prioridade no Brasil", afirma. Prova disso, é o volume de impostos cobrados.
"Falta reforma", ressalta Londres. Estudos realizados na Califórnia apontam que os Estados Unidos investiram 16% de seu Produto Interno Bruto (PIB) com saúde. Em 1950, esse número correspondia a apenas 5%. E a estimativa é que até 2050, o setor consuma 30% dos recursos. Já no Brasil, são investidos entre 6% a 7% do PIB em Saúde, divididos entre os setores público e privado. A estimativa é que se o cenário econômico se mantiver, em 2025 esse número chegue a 12%.
Setor privado
O mercado suplementar de saúde está num momento recessivo e tem que buscar rentabilidade. Segundo estudo da Anahp, em 2005, o grupo de hospitais filiados a entidade teve receita de R$ 4,5 bilhões. Em 2002, esse valor era de 2,09 bilhões.
Segundo o presidente da associação, José Antônio de Lima, o incremento se deve principalmente à inflação de materiais e medicamentos. "Os reajustes são praticamente diários. Além disso, novos materiais também encarecem o custo da assistência", diz. A lucratividade, no entanto, é baixa, na média de 2% sobre o faturamento. "Mas não temos como comprovar estes dados".
Lima diz que o investimento em medicina de alta complexidade também colaborou para o acréscimo da receita. As ampliações de leitos de unidades de terapias intensivas, que tem um custo mais alto, novos produtos, ampliação da cobertura e novas incorporações tecnológicas também integram os motivos para o crescimento. Além disso, muitas redes têm investido na ampliação de seus consultórios. O Hospital Israelita Albert Einstein investirá R$ 320 milhões na expansão da Unidade Morumbi, que inclui a construção de três novos prédios e um auditório para 500 pessoas, em 2012. O número de leitos do hospital passará de 460 para 700; o número de consultórios de 100 para 200; as salas de cirurgia de 28 para 40 e as salas de aula de 4 para 12, segundo informações da IT Mídia Saúde.