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O SUS que funciona: quatro exemplos de serviços nota dez

Demora para conseguir consultas e exames, pacientes acomodados em corredores de hospitais. Problemas como esses ainda são realidade para quem depende do Sistema Único de Saúde (SUS). Mas a mesma saúde pública que causa sofrimento em alguns momentos é um alívio em muitos outros. Talvez você nunca tenha se dado conta, mas o SUS oferece serviços que funcionam tão bem que são referência para outros países. A oferta de remédios de alto custo, transplantes, vacinação em massa e o Programa de Saúde da Família são exemplos de eficiência.
A imunização gratuita de doenças no país é uma das mais completas do mundo. Da mesma forma, portadores do vírus HIV têm acesso ao que há de mais eficiente no coquetel de medicamentos anti-aids.
O SUS também tem o maior programa de transplantes de órgãos do mundo. Nos últimos 10 anos, este tipo de cirurgia no país passou de 3.765 para 15.855. No Estado, entre os meses de janeiro a agosto de 2007 foram feitos 82 transplantes. No mesmo período deste ano foram 145. Um aumento de 76%.

Abrangência

 

São serviços de um SUS que funciona e que este mês está completando 20 anos. Este é o único acesso à saúde para 140 milhões de brasileiros, o que representa 75% da população. No Estado, apenas a Capital registra um índice menor de usuários – 60% dos moradores dependem da saúde pública.
Com tantos dependentes, o SUS é o maior plano de saúde pública do mundo. Poucos países oferecem tantos serviços gratuitamente. O subsecretário de Estado da Saúde, Francisco José Dias, salienta que, apesar de tantas pessoas terem planos de saúde, 99% dos transplantes e 97% dos tratamentos de hemodiálise são feitos pelo SUS.
"Temos tratamentos com tecnologia de ponta e há planos que não assumem o paciente quando ele precisa de um recurso de alto custo", explica Dias. Nesses 20 anos de saúde universalizada quem ganhou foi a população. O número de estabelecimentos públicos de saúde subiu de 13 mil para 77 mil.
Mas ainda há muito o que fazer. Dias reconhece que há realidades diferentes dentro do mesmo sistema. "Oferecer tantos serviços gratuitos demanda muitos custos. Precisamos de uma política de arrecadação de tributos mais eficiente porque o subfinanciamento de algumas áreas gera problemas. Nosso desafio é fortalecer a atenção primária. Investir mais na prevenção para evitar que muitos pacientes superlotem os hospitais", aponta.

Sem fila e sem burocracia no atendimento

A administradora Cristina Oliveira Valdetaro, 33 anos, e sua filha Iara Oliveira Valdetaro, 1 ano e três meses, têm plano de saúde e moram no Barro Vermelho, uma das áreas mais nobres de Vitória. Mas isso não é impedimento para que, de vez em quando, façam uma visita à Unidade de Saúde do bairro Santa Luíza. A maioria das vacinas que Iara tomou até hoje foram aplicadas no local. "Vamos nas clínicas particulares apenas para as vacinas que o SUS não tem. Aqui somos bem recebidas, os funcionários são educados, não há fila, nem burocracia", diz Cristina, que na semana passada levou Iara para tomar as vacinas tetravalente e anti-pólio. A diretora da unidade, Helena Christ, conta que atende muitas pessoas das classes A e B. "São pessoas que vêm tomar vacina, conseguir remédios e leites de alto custo e até fazer consultas, principalmente os que têm plano participativo. Também há muita gente das classes mais altas que participa dos nossos programas contra tabagismo, diabetes e hipertensão", lembra Helena.

Medicamento disponível no dia agendado

 

Há um ano a professora Patrícia Lazaroni, de 28 anos, pega, gratuitamente, o medicamento Eprex para a mãe, a aposentada Vera Lúcia Lazaroni, de 58. Ambas têm plano de saúde, mas Patrícia explica que comprar o remédio seria impossível para a família. "O Eprex custa cerca de R$ 700 uma ampola e ela toma 12 por mês. Quando o atendimento era feito no Centro de Vitória demorava demais. Depois que veio para Jardim América foi informatizado e ficou mais rápido, com dia agendado para o o recebimento do remédio", conta. Patrícia diz que sua mãe sofre de insuficiência renal e também faz sessões de hemodiálise pelo SUS. "O plano dela não cobre", lamenta. A professora só tem uma reclamação. "Acho que cada município deveria ter uma farmácia dessa. Pra mim fica muito longe vir até aqui", conta Patrícia, que mora com a mãe no bairro Pitanga, na Serra.

Usuários

 

140 milhões  – É o número de brasileiros que têm no SUS o único acesso à saúde. Isso representa 75% da população.

Falta avaliação criteriosa

 

"Um dos elementos de fragilidade do SUS é que falta uma avaliação criteriosa do sistema. A queda na mortalidade infantil e o aumento na oferta de vacinas são bons indicadores, mas não são suficientes para saber se o sistema está mesmo funcionando com eficiência e qualidade. É preciso levantar em quanto tempo se consegue uma consulta, um exame, uma cirurgia e comparar com outros países. Da mesma forma, é importante identificar o investimento que está sendo feito em saúde, por pessoa, e comparar com outros países. O governo federal deve criar indicadores para a saúde pública, como já existe na área da educação. Porque os problemas têm que ser identificados. É urgente saber se a questão é de gestão, planejamento ou avaliação pública. O Ministério da Saúde deve estabelecer critérios para aferir a qualidade dos serviços. Os conselhos de saúde também precisam ser fortalecidos. Os gestores devem assumir prazos e serem responsabilizados em caso de problemas".

Vacinar para prevenir

 

As campanhas de vacinação realizadas pelo Ministério da Saúde mostram que vale a pena investir na prevenção. Nos últimos anos, doenças como varíola e poliomielite foram erradicadas. O Brasil foi pioneiro na adoção da estratégia de vacinação em massa para acabar com a paralisia infantil e seu Programa de Imunização é uma referência mundial.
Nos últimos 10 anos, as vacinas também fizeram cair em mais de 90% os casos de sarampo, tétano neonatal, coqueluche e rubéola. "A última campanha de rubéola teve meta de 70 milhões de pessoas e chegamos a 63 milhões. Mesmo assim, é a maior vacinação do mundo", destaca o subsceretário de Estado da Saúde, Francisco José Dias.
Com o investimento na vacinação de homens e mulheres, com idades entre 20 e 39 anos, a expectativa do Ministério da Saúde é obter o certificado da Organização Mundial da Saúde de eliminação da rubéola do território nacional. Dias explica que qualquer cidadão pode se imunizar pelo SUS. Nos últimos anos foram incluídas as vacinas contra o rotavírus e a gripe. "Algumas não estão padronizadas porque teriam investimento alto com impacto muito localizado", explica.
Remédio de alto custo para todos
Imagine ter de comprar para seu filho, todos os meses, um remédio que custa R$ 3 mil. Há medicamentos tão caros e de uso contínuo que mesmo pessoas de classes sociais altas têm dificuldade para adquirir. Mas quem precisa dos chamados medicamentos de alto custo pode recorrer ao Sistema Único de Saúde (SUS). Nos últimos anos os investimentos nesses itens aumentou e é cada vez maior a variedade de produtos.
Em 1988, ano da criação do SUS, eram ofertados 40 medicamentos essenciais, destinados exclusivamente à atenção básica. Hoje são 400 produtos disponíveis, em todo país, nos três níveis de atenção (básica, estratégica e de alto custo). Qualquer pessoa, independente de ter plano de saúde, tem acesso aos remédios da Farmácia Cidadã, do Centro Regional de Especialidades (CRE), em Cariacica, que em 2007 contabilizou 245 mil atendimentos.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) o Espírito Santo é um dos estados que mais investe na compra de remédios. Este ano, foram R$ 80 milhões em medicamentos de alto custo, sendo que o investimento por pessoa – R$ 24 – é o maior do país.

Atendimento médico garantido em casa

 

A criação do Programa de Saúde da Família (PSF), em 1994, é um dos principais avanços do Sistema Único de Saúde (SUS). O programa tinha 300 equipes e 1,1 milhão de pessoas atendidas. Este ano, são 28,1 mil equipes que beneficiam 90 milhões de brasileiros.
Segundo o subsecretário de Estado de Saúde, Francisco José Dias, mais de 50% da população capixaba é acompanhada em casa pelos médicos, enfermeiros e dentistas. "O objetivo é identificar os problemas de saúde no início e acompanhar os que possuem doenças crônicas e evitar que cheguem aos hospitais", explica.
Porém o secretário reconhece que este é um dos maiores desafios dos gestores do SUS. "Quando toda população tiver esse tipo de cobertura, o atendimento nos hospitais vai melhorar. O ideal é que 85% dos problemas de saúde sejam resolvidos em casa ou nas unidades básicas. O desafio é investir mais na atenção primária, expandir o PSF e qualificar os profissionais que trabalham nele", explica.

Programa vai avaliar qualidade dos serviços

 

Já pensou se você tivesse de dar uma nota para o hospital onde alguém da sua família ficou internado nos últimos dias? Nos próximos meses isso pode ser uma realidade nos estabelecimentos públicos de todo país. O Ministério da Saúde pretende criar um programa de avaliação dos serviços prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O secretário de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde, Antônio Alves de Souza, disse que a intenção é medir a satisfação do usuário, avaliar se os investimentos e as ações de prevenção estão tendo resultado. "Precisamos saber, por exemplo, se os programas estão reduzindo o número de diabéticos e hipertensos, se as pessoas estão mesmo deixando de fumar", explica.
Sobre os serviços do SUS que ainda são motivo de sufoco, como a superlotação em hospitais, Antônio Alves, disse que parte do problema pode ser resolvido se o Senado aprovar a criação da Contribuição Social para a Saúde (CSS). "Esse imposto vai ajudar a acabar com o subfinanciamento do SUS porque todo recurso arrecadado será destinado à saúde".