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SUS monta serviço específico contra MCR

Em Cuiabá, um ambulatório foi montado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para atender as vítimas (60 casos notificados) da micobactéria de crescimento rápido (MCR) contaminadas em hospitais particulares.

O serviço funciona no Centro Estadual de Referência em Média e Alta Complexidade (Cermac). Além do diagnóstico, os pacientes recebem os medicamentos gratuitamente e são acompanhados por infectologista durante seis meses (no mínimo). Atualmente, o serviço é oferecido para 48 pessoas – 12 já receberam alta do ambulatório.

O secretário-adjunto de Saúde do Estado, Vitor Rodrigues, explicou que além de caros, os quatro antibióticos aplicados no tratamento não são vendidos em farmácias e seu fornecimento está condicionado à notificação do caso pelo hospital onde ocorreu a contaminação.

De acordo com ele, esse serviço deve ser transferido para o Hospital Universitário Júlio Muller, instituição vinculada à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) que é referência no Estado em doenças infectoparasitárias. Mas esse processo ainda está em fase de negociação.

Vitor acrescentou que não há casos da MCR em hospitais públicos porque as instituições da rede ou conveniadas ao SUS não fazem cirurgia por vídeo, exceto a laparoscopia, espécie de exame que verifica a cavidade abdominal e os órgãos nela presentes.

Estima-se que cada paciente custe ao mês entre R$ 4 mil e R$ 5 mil ao setor público. Os pacientes ainda gastam valores que variam de R$ 1 mil e R$ 1,5 mil com exames, tratamentos complementares e procedimentos hospitalares.

Em todos os estados brasileiros onde há casos de contaminação por MCR o SUS criou serviços específicos para atender as vítimas. No Espírito Santo, onde 244 casos foram notificados, uma comissão formada por vítimas pede na Justiça que os hospitais reembolsem ao governo o dinheiro gasto nesse atendimento.

A presidente da comissão capixaba, Kíssila Sodré, contaminada durante uma cirurgia de apêndice, informou que uma liminar concedida em janeiro deste ano, numa ação proposta pelo Ministério Público Estadual, está obrigando os hospitais a oferecer todos os exames e assistências complementares aos seus pacientes.

De acordo com Kíssila, no Espírito Santo seis pessoas que contraíram a bactéria estão com osteomielite (infecção nos ossos), algumas correm risco de amputação de membros. Outras vítimas, disse, apresentam cisto no fígado, pâncreas, assim como deficiências auditiva e visual.

Como não se sabe se esses problemas são conseqüências da infecção pela MCR ou dos medicamentos, há necessidade que o paciente seja monitorado com uma bateria de exames a cada três meses, durante dois anos. Daí, ponderou ela, a importância da responsabilização dos hospitais pelo tratamento complementar.

EPIDEMIA

 

No país, mais de mil pessoas já foram atingidas pela MCR nos últimos três anos. Apenas em 2008, são 76 casos. A incidência tem motivados hospitais a convocarem pacientes operados em busca de novos casos. Pelo menos duas mortes estão em investigação hoje no Paraná, além de outros 153 casos no país, e o problema preocupa principalmente o Rio Grande do Sul, Goiás e Distrito Federal, segundo balanço da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.