Além do golpe infame contra o povo, manifestado pela mobilização de suas bases no Congresso para recriação da CPMF, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva age como um salteador, às escondidas, porque tudo faz para ressuscitar o finado imposto sobre operações financeiras mas declara publicamente que é contra e quer deixar parecer que a idéia é dos parlamentares. Além da ganância jamais vista por dinheiro, o sindicalista no poder blefa e não assume que é ele o grande mentor dessa investida para arrecadar mais.
Lula, que nunca soube muito bem o que é ganhar dinheiro trabalhando – bem à moda dos comandos sindicais e centrais do gênero – deixou bem cedo o serviço de metalúrgico e preferiu o conforto dos palanques. E no governo, cujo poder alcançou por mérito de seus discursos populistas, revelou-se não um estadista mas apenas um governante de baixa sensibilidade política e de pouca ou nenhuma competência gerencial. Tanto que lança uma denominado Programa de Crescimento Econômico (PAC), mas agora incumbe-se ele mesmo de quebrar o impacto de seu projeto ao tentar recriar a CPMF. Que é antidesenvolvimentista e capaz de gerar um grande desestímulo no setor produtivo nacional – que é o que vem segurando a barra neste país – e aí o tal crescimento tão apregoada por via do PAC poderá descambar para um arrefecimento. Não há como aceitar essa idéia absurda que rebrota das cinzas, até porque o governo nunca teve tanto dinheiro em caixa, pelo fato de que a arrecadação cresceu e não abalou o Tesouro mesmo com a extinção da CPMF em dezembro.
Dinheiro que vai para o bolso do governo é dinheiro que sai do meio circulante. E – se não foi apenas esta a razão, mas também o arrojo empresarial – o Brasil deu um salto de crescimento depois que deixou de remeter para o Governo esbanjador e para um sistema corrompido os mais de R$ 35 bilhões anuais da CPMF. A desculpa de que é preciso dinheiro para atender à emenda constitucional que destina R$ 20 bilhões para a saúde (e de que ”não há de onde tirar”) é uma mentira oficializada, porque dinheiro o governo tem de sobra.
O que o não existe em Brasília e nem nos planos do presidente Lula é a idéia de diminuir gastos supérfluos com a inchada máquina pública. O presidente Luiz Inácio gerencia a grande empresa Brasil e desconhece que um negócio não sobrevive sem racionalização de gastos. Mas ele é ainda, e apenas, o mesmo homem com a cabeça de sindicalista.