contato@sindipar.com.br (41) 3254-1772 seg a sex - 8h - 12h e 14h as 18h

Relatório da OMS mostra pouco investimento do Brasil na saúde

GENEBRA – Um brasileiro vive, em média, 59,8 anos de forma saudável. A avaliação é da Organização Mundial da Saúde (OMS), que ontem divulgou seu relatório anual, em que mostra, entre vários aspectos, que a população do País perde 13,3% de seus anos em condições de saúde não apropriadas. O documento da agência ligada à ONU e baseado em dados de 2002 não traz os países classificados pelo desempenho, mas por ordem alfabética.
Uma avaliação dos resultados obtidos pelos 192 governos, porém, mostra que o Brasil ocuparia apenas a 99.ª posição, caso se fizesse um ranking com base nos anos de vida saudável da população. De acordo com o relatório, o governo destinou em 2001 só 8,8% dos gastos públicos à saúde, uma das taxas mais baixas da América Latina.
Segundo o relatório, a expectativa de vida do brasileiro, em geral, era de 68,9 anos em 2002. O dado mostra tímida melhora em relação a 2001, quando essa média era de 68,7 anos. Mas, para especialistas, a única forma de medir de fato a qualidade de vida e os serviços de saúde prestados pelo governo é por meio de um cálculo sobre a quantidade de anos de plena saúde de que um cidadão desfruta.
Com base nesse critério, as brasileiras vivem 62,4 anos de forma saudável e os brasileiros, 57,2. A média nacional é equivalente aos anos vividos com saúde por um cidadão da Moldávia. Costa Rica, Paraguai, Bósnia, Argélia ou Cabo Verde apresentam desempenho mais positivo que o Brasil.
Já nos países escandinavos, como Suécia e Noruega, a população vive em média mais de 72 anos com saúde. Um moçambicano vive apenas 36 anos de forma saudável.
Para um dos autores do relatório, Robert Beaglehole, o Brasil apresenta ao mesmo tempo índices de Primeiro Mundo e de países em desenvolvimento. O relatório lembra, por exemplo, a experiência do País no combate à aids: foi dos primeiros a ter uma lei que garante acesso da população a remédios e conseguiu evitar que o número de portadores do HIV explodisse. Com o programa, o Brasil teria economizado US$ 2,1 bilhões em tratamento de infecções e gastos hospitalares entre 1997 e 2001.