“Bobo é todo homem na presença de Deus”. É com a máxima de Erasmo de Roterdã que Wellington Nogueira abre as páginas de Doutores da Alegria – O Lado Invisível da Vida, que ele autografa hoje na Livraria Cultura do Shopping Villa Lobos, às 19 horas. Nogueira é autor do livro e criador dos Doutores da Alegria, grupo fundado em 1991 e que leva o trabalho de artistas profissionais e especializados na arte do palhaço, técnicas de circo, mágica e música para hospitais de todo o País.
O livro, além de contar a história desse grupo, que já visitou mais de 400 mil crianças e adolescentes hospitalizados e firmou parceria com o Ministério da Saúde, também analisa a importância da figura do palhaço na sociedade atual. "Quando começamos com o Doutores da Alegria, percebi que não poderia colocar somente os palhaços no hospital, ambiente em que ele é capaz de provocar uma revolução. O arquétipo do palhaço é muito forte. É tão importante na sociedade que acabei me apaixonando pelo tema", conta Nogueira, que trabalha no livro há quatro anos e conta com o apoio da Grifa Mixer e a Mamo Filmes, que também realizaram o premiado documentário Doutores da Alegria, de Mara Mourão. "O bobo da corte era uma figura muito emblemática nas sociedades, ao mesmo tempo engraçada e crítica. Depois, esta figura foi desaparecendo e surgiu o palhaço de circo. Hoje, o palhaço ocupa um lugar não esperado, justamente o hospital, onde nós resgatamos o que de mais saudável a criança tem, que é a alegria", explica Nogueira, que é ator e trouxe a idéia para o Brasil após integrar o programa Clown Care Unit, de Nova York, criado em 1986 pelo ator Michael Christensen.
Além de textos que contam a história do palhaço, a experiência do Doutores da Alegria e frases memoráveis, as páginas de Doutores da Alegria trazem fotos do cotidiano desses palhaços nos últimos quatro anos e belas gravuras que ilustram perguntas como ‘Qual a importância da alegria em nossas vidas?’e ‘O que temos de aprender com encontros entre palhaços e crianças no hospital?’
“Eu faço questão de explicar que o palhaço não traz respostas, mas brinca com as perguntas”, comenta Nogueira, para quem a função contestadora e questionadora da figura do palhaço é imprescindível em qualquer sociedade. “Foi há pouco tempo, nos últimos cento e poucos anos, que os pensadores, antropólogos e sociólogos começaram a constatar que as manifestações do palhaço, da sátira, não são mero acaso, mas um fato que marca a figura do comentarista social, fazendo uma crônica do momento histórico em que vive, de pontos de vista novos e inesperados”, comenta ele, provando que é sempre bom ter um ‘besteirologista’ por perto.
SERVIÇO – Doutores da Alegria – O Lado Invisível da Vida. De Wellington Nogueira. R$ 98. 144 págs.