O Ministério da Saúde anuncia em São Paulo, nessa sexta-feira (24/09), a criação de uma rede pública nacional de bancos de células-tronco, a BrasilCord. A cerimônia será às 9 horas, no Hospital Albert Einstein, com a presença do ministro Humberto Costa, do diretor do Instituto Nacional do Câncer (Inca), José Gomes Temporão e do assessor do Departamento de Atenção Especializada, Diogo Mendes.
A intenção do governo é criar centros de coleta e armazenamento das células retiradas de cordões umbilicais em diversas regiões do país, a começar por São Paulo e Rio. O Instituto Nacional do Câncer, no Rio, terá um centro, que já conta com 700 cordões. Em São Paulo, uma parceria entre o Hospital Albert Einstein, a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade de Campinas (Unicamp) permitirá a criação do centro.
Nos bancos, serão armazenadas as células-tronco existentes em cordões umbilicais – cortados dos recém-nascidos – desde que a iniciativa seja autorizada pelas parturientes. Logo depois do parto, o sangue do cordão umbilical do bebê é coletado e passa por vários processos de separação. As células-tronco ficam armazenadas em tanques de nitrogênio líquido até que seja necessária sua utilização por um paciente.
De acordo com o médico Cláudio Lottenberg, as células-tronco devem ser a solução para diversas doenças: problemas cardiovasculares, diabetes tipo 1, mal de Parkinson e, principalmente, doenças hematológicas. “As células-tronco já são amplamente empregadas como alternativa ao transplante de medula óssea com excelentes resultados”, afirma Lottenberg.
Antes da descoberta das células-tronco, o transplante de medula era o tratamento mais usado em casos de leucemia. Este tipo de cirurgia é mais caro e envolve riscos maiores, especialmente para o doador. Por isso, o número de brasileiros doadores de medula não passa de 72.000. Dados do Ministério da Saúde indicam que, para atingir o ideal, seriam necessários 2 milhões.
Outra vantagem das células-tronco é a capacidade de adaptação superior à medula. Informações do Hospital Albert Einstein indicam que cerca de 20 mil cordões são suficientes para cobrir toda a variedade genética do país.
Polêmica
Mas a ética ainda permeia as discussões sobre a utilização dessa técnica. Na semana passada, a bancada religiosa do Senado Federal conseguiu derrubar o texto da Lei de Biossegurança que permitia a utilização para pesquisa de células-tronco obtidas por clonagem. Os senadores mantiveram no texto somente a possibilidade de usar embriões resultantes de fertilização in vitro.
Mesmo com as discussões, as pesquisas continuam. No Instituto do Coração (Incor) de São Paulo, médicos aplicam diretamente células-tronco em pacientes com insuficiência cardíaca e hipertensão. De acordo com Edmar Bocchi, responsável pela pesquisa, os resultados são animadores. “Se os dados positivos se confirmarem, esse tipo de tratamento poderá auxiliar um grande número de pessoas, principalmente entre os pacientes que precisam de transplantes”, conclui.