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Aborto coloca igreja e Kirchner em rota de colisão

Tom de confronto entre governo e religiosos católicos se amplia

O Vaticano rejeitou pedido oficial feito pelo governo do presidente da Argentina, Néstor Kirchner, para que fosse retirado do país o bispo Antonio Baseotto.

O pedido ocorreu após críticas feitas por Baseotto ao ministro da Saúde argentino, Ginés González García, por defender a descriminalização do aborto e a distribuição de preservativos a jovens.

A controvérsia teve início quando foi lançada uma campanha do Ministério da Saúde pelo uso de preservativo. Em reação à campanha, Baseotto enviou uma carta ao ministro acusando-o de “apologia ao crime de homicídio” e afirmando que os “que escandalizam os pequenos merecem colocar uma pedra no pescoço e serem jogados ao mar”.

A declaração do bispo, que é vigário das Forças Armadas, provocou uma onda de repúdio de organismos de direitos humanos. Advogados querem levá-lo à Justiça por ter feito apologia à ditadura, que lançava no mar prisioneiros políticos vivos.

O núncio apostólico na Argentina, Adriano Bernardini, pediu que seja superada “a dolorosa situação criada” pela declaração.

Anteontem, o governo argentino anunciou que ratificará um protocolo adicional da ONU contra a discriminação contra as mulheres, um texto que a Igreja Católica argentina critica porque acredita que ele favoreça a legalização do aborto.

Graciela Rosso, vice-ministra da Saúde da Argentina – país oficialmente católico -, disse que a ratificação do protocolo antidiscriminatório busca resolver “um problema sério” e que o caráter do texto é “mais amplo do que afirma a igreja”.

“Trata-se dos direitos das mulheres, que são defendidos por nossa Constituição. Não se pode negar a realidade. Deve-se buscar que não morram mais mulheres nem mais crianças”, disse a ministra à rádio Mitre.

A afirmação do governo Kirchner foi feita um dia depois que bispos argentinos pediram ao Congresso que não aprovasse a medida, que precisa contar com o aval do Legislativo para poder entrar em vigor.

A posição oficial de Kirchner e da primeira-dama, a senadora peronista Cristina Kirchner, é contrária ao aborto. Porém o ministro García é favorável à interrupção da gravidez quando ela ocorre após um estupro.

A Conferência Episcopal Argentina afirma que “a legislação argentina fundamenta com claridade a defesa da vida e considera o aborto um delito. Não podemos nos deixar enganar por argumentos e estatísticas nunca provadas que respaldam as tendências abortistas”.

Já a vice-ministra Rosso insistiu que quer que o Congresso aprove a ratificação do protocolo da ONU tal como foi apresentado.